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(Con)Fusos e meridianos

A difícil tarefa de representar a Terra em uma superfície plana é um grande desafio para todos os profissionais atuantes com levantamentos em campo e projetos em escritório, o nível aumenta gradativamente quando as extensões territoriais crescem e o espaço no papel diminui (escala). Falar em grandes áreas pensando em um país com dimensões territoriais é o mesmo que dizer que a chuva molha.

Com base a complexidade técnica para representação de uma porção da superfície terrestre, buscaram formas de sistematização e simplificação das informações e no século XVI Gerardus Mercator (Gerhard Kramer) apresentou a projeção de Mercator, nela a Terra foi subdividida em paralelos (horizontal e vertical) com características semelhantes. Para ser mais didático, pense numa tangerina e lembre que a fruta possui gomos, todos são simétricos e cada um em seu lugar formam na totalidade a esfera.

Entrando nas definições e características do sistema de projeção Universal Transversa de Mercator (UTM) temos a Terra dividida em 60 fusos de 6° (graus) de amplitude longitudinal. Cada divisão (fuso) é chamada de zona UTM (gomo) e por possuírem as mesmas configurações foram enumeradas a partir do fuso 1 localizado da esquerda para a direita em relação à longitude 180° oeste. Além da contagem dos fusos em ordem numérica há como identifica-los através de seu meridiano central (MC) que está posicionando ao centro da zona.

                As unidades de medida são expressas em metros (m) e possui como origem a linha do Equador e o Meridiano Central como referência para o fuso. Dessa forma, nota-se que além de subdividir a superfície terrestre em 60 fusos também a temos dividas em hemisférios Sul e Norte.

                Foram definidos os valores a serem adotados no sistema e dessa forma temos para o Hemisfério Sul partindo da linha do Equador o valor 10.000.000 m (dez milhões de metros), sendo que o valor decresce à medida que as latitudes aumentam, ou seja, quanto mais ao sul da linha do Equador menor será o valor no eixo Norte (N). Para quem está acima da linha do Equador (Hemisfério Norte) terá os valores partindo de 0m e aumentando à medida que se afasta da origem. Como visto anteriormente, a divisão também ocorre no sentido vertical denominado de eixo E(X) onde o valor do MC é 500.000 m (quinhentos mil metros) reduzindo à esquerda (sentido oeste) e aumentando à direita (sentido leste). Como a amplitude do fuso é de 6° temos 3° a oeste do MC e 3° a leste, cada 1° equivale a 100.000 m (cem mil metros), dessa forma a variação no eixo E(X) de um fuso será 200.000 m na borda à esquerda, 500.000 m no centro e 800.000 m à direita, ao finalizar o fuso, inicia-se outro com as mesmas delimitações.

  • Projeção: Transversa de Mercator (tipo Gauss-Krüger) em zonas de 6° de amplitude
  • Latitude de Origem: 0° (linha do Equador)
  • Unidade de medida: Metros
  • Origem do eixo Norte N(Y): Hemisfério Sul 10.000.000 m no Equador e valor decrescente sentido sul. Para Hemisfério Norte 0 m no Equador e valor crescente no sentido norte.
  • Meridiano Central (MC) por zona: 33°, 39°, 45°, 51°, 57°, 63°, 69°, 75° E e W no Brasil
  • Origem do eixo E(X): 500.000 m no MC de cada zona
  • Fator de Escala (K) no MC: 0.9996
  • Limite de Latitude do Sistema: de 80°S a 84°N

A confusão começa quando o entendimento do sistema de projeção UTM não se faz por completo e a numeração da zona trabalhada é tratada com menos preocupação que deveria, uma vez que a informação é trazida de maneira equivocada a bagunça está instalada.

  Vamos descobrir na prática, já sabemos que os fusos possuem as mesmas características técnicas e com a adoção de forma equivocada do MC temos casos como dispostos no exemplo abaixo:

O imóvel em destaque na cor amarela possui as mesmas coordenadas nos eixos E(X) e N(Y), porém foram utilizados 3 (três) MC diferentes, assim, a área que deveria estar em Piracicaba interior de São Paulo simbolizado pelo fuso 23, quando adotado o fuso 22 (MC 51°)  é direcionada para o estado do Mato Grosso do Sul e utilizando o fuso 24 (MC 39°), o objeto de interesse apareceu no litoral do Rio de Janeiro.

                       Fuso 22S  

       

                               Fuso correto 23S       

                            Fuso 24S

                Em resumo, começar na Cartografia é uma tarefa complexa ainda mais se não conhecermos alguns aspectos extremamente importantes, 1 número pode significar um deslocamento de pelo menos 800 km de seu local de origem.

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